Legendarium Tolkien: Breves comentários sobre suas influências em sua obra


Tolkien era um virtuose. Mesmo o crítico literário mais severo em sã consciência não negaria isso. As obras do seu legendarium possuem certo grau de originalidade pela forma em que foram escritas, mas praticamente todo autor tem suas influencias e com Tolkien não foi diferente. Ele não inventou a Terra-média do nada.

Obviamente a maioria de seus leitores só vai se dar conta disso após passar da fase da leitura por entretenimento. Alguns leitores só vão se dar conta em ao ler livros que comentem a etapa de criação como por exemplo O Hobbit Anotado, do Douglas A. Anderson. Outros podem se dar conta em função de leituras anteriores como por exemplo por já ter lido Odisseia, de Homero consiga enxergar uma certa similaridade entre Eärendil e Odisseu. Ou ao ler o cânone e apócrifos judaico-cristãos ver similaridade entre Morghot e Lúcifer. No ciclo arturiano também podemos ver uma similaridade entre Merlin (mas figuras como Merlin são comuns na mitologia celta) e Gandalf.

Tolkien era leitor e crítico de Shakespeare. Há passagens de O Senhor dos Anéis que fazem referência a Macbeth. Em Macbeth as três bruxas profetizam que "Macbeth nunca será derrotado até que a Grande Floresta Birnam até a alta Colina de Dunsinane marche contra ele." Os inimigos de Macbeth cortam galhos de árvores durante a marcha de seus exércitos, simulando o avanço de uma floresta, que Tolkien acreditava ser uma solução muito fácil. Então ele inventou os Ents da Floresta de Fangorn e os fez marchar sobre Isengard. As bruxas também dizem ao rei dos escoceses que nenhum homem nascido de mulher será capaz de matá-lo. Shakespeare corrige isso, no que Tolkien considerou sua maior "falha crítica", tornando seu assassino um homem nascido de cesariana. A proposta do Senhor dos Anéis? Para o Rei Bruxo, Senhor dos Nazgûl, ele diz que nenhum homem vivo pode matá-lo, então quem o faz acaba sendo uma mulher, Éowyn.

A Canção de Nibelungos, um poema épico germânico do século 13 que conta a história de Siegfried e sua busca pelo tesouro dos Nibelungos, anões que viviam no subsolo. O tesouro, entretanto, é guardado por um dragão e também contém um anel de ouro amaldiçoado. Nele, o anão Albérico rouba o anel do poder, escondido no fundo do rio Reno.

Além de "A Canção de Nibelungos" o Hobbit traz alguns elementos Völuspá primeiro poema do Edda Antigo também datados do século 13 e que permitiram iniciar o estudo e a compilação das histórias referentes aos deuses e heróis da mitologia nórdica e germânica.

Nele podemos encontrar o nome dos anões vistos no livro. Já no poema Hávamál há similaridades entre o sacrifício de Odin e o de Gandalf. No mesmo poema vemos as descrições de Sleipnir e Svadilfari cavalos de velocidade além da imaginação. Notaram a similaridade com Scadufax? Odin é um deus da família dos Æsir, uma casta de deuses guerreiros que tem uma longevidade muito superior a humana, mas não são plenamente imortais. Já Gandalf faz parte da raça dos Maiar, seres celestiais dotados de habilidades e longevidade, sobre-humanas, mas, que igualmente não são totalmente imortais.

O quenya, a língua dos altos elfos é derivada principalmente do finlandês. Mas há um pouco de latim, os antigos idiomas germânicos e anglo-saxão. Obviamente isso não faz o quenya ou o sindarin menos incríveis do que são.

Há influências não literárias como Sarehole, uma aldeia dependente de Hall Green, perto de Birmingham, onde Tolkien cresceu e que serviu de inspiração para a criação do Condado. Os hobbits também viviam da terra, eram pessoas simples que, de certa forma, representam uma versão idílica e nostálgica do campo inglês. Já o vale de Lauterbrunnen, na Suiça foi a inspiração de Tolkien para criação de Valfenda.

Esse é um debate tão incrível quanto as próprias obras. Daria para escreve um livro dissertando sobre isso e este não é o objetivo deste breve texto. Até por que já há muito material acadêmico sobre isso. Então para quem quiser se aprofundar mais sobre as influências nas obras de Tolkien, cito algumas seguintes obras:

O Senhor do Senhor dos Anéis: o Mundo de Tolkien - Lin Carter

The Hobbit in Tolkien’s Mythology: Essays on Revisions and Influences - Brandford Lee Eden

Tolkien's Legendarium: Essays on The History of Middle-earth - Carl F. Hostetter

Tolkien On Fairy-stories - Douglas A. Anderson

Green Suns and Faërie: Essays on J.R.R. Tolkien - Verlyn Flieger

There Would Always Be a Fairy Tale": More Essays on Tolkien - Verlyn Flieger Cuiviénen, Astámo da TocaSC

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